69-Ter mais de Deus significa ter menos de você

Ter mais de Deus significa ter menos de você

       Eu estava em minha primeira viagem para a Nicarágua, e comigo estava um grupo de aproximadamente 15 pessoas. Eu fora convidado para ministrar numa pequena igreja localizada  num bairro distante de Manágua (capital).

       As pessoas que tinham organizado a reunião me  entregaram um mapa e as chaves de uma caminhonete Datsun e mostraram-me como dirigi-la.  Eles levaram a minha equipe para a igreja, e deixaram-me aos cuidados de Rubi, uma pequena senhora de  70 anos, que seria a minha intérprete e de um garoto de cerca de 13 anos, que seria o encarregado de nos guiar, por meio do mapa, a atravessarmos a cidade  até chegarmos ao local onde a reunião iria acontecer.

       Rubi era de uma região conhecida como Campos da Nicarágua. Anos atrás, quando os franceses deixaram a nação, deixaram todos os seus escravos na Costa leste. Rubi era descendente daqueles escravos. Ela falava francês, espanhol e Inglês.  Rubi estava encarregada de interpretar as orientações de localização que o garoto dizia para mim, para que eu conseguisse dirigir o carro naquela hora do rush.

       Não sei se você já dirigiu um carro, numa grande cidade, na hora do rush, mas creia-me, conseguimos sobreviver às custas de muita oração de intercessão.  Havia três faixas de tráfego indo em cada sentido, onde iam uns cinco ou seis veículos abarrotados, lado a lado, lutando por um espaço. Minhas habilidades de motorista canadense educado foi rapidamente perdida e me vi com os braços para fora da janela, quando estava querendo mudar de faixa. Em muitos momentos, para mudar de faixa, não dava para esperar, tinha que por a mão na buzina e fechar a frente de uns carros, pois o jovem garoto nicaragüense, gritava no último minuto, vire a direita e quando Rubi traduzia, o local já havia passado. Portanto tive que usar os meus instintos de missionário e comecei a segui-lo.     Eu estava começando a apreciar este novo estilo de direção quando chegamos ao local determinado para a reunião daquela noite. Eu não tinha idéia de como esse encontro iria mudar a minha vida. Às vezes, você aprende mais com o fracasso do que  com a vitória.

       Levamos cerca de quarenta e cinco minutos para chegarmos na igreja. Ficou claro que ela estava inacabada, pois

havia apenas duas paredes acabadas com uns dois ou quatro pilares erguidos, que mantinha o teto , onde víamos uma única lâmpada pendurada por um cabo suspenso que iluminava a reunião.  

       Eu comecei a pregar, e Ruby interpretava para uma multidão que se mantinha pendurada em cada palavra proferida. Gosto de ir a esses países onde encontramos pessoas famintas pelo evangelho. É lindo de se observar.

       A multidão estava dentro e fora da igreja. Tendo apenas duas paredes levantadas, a reunião acontecia praticamente ao ar livre. Bem, quando eu estava no clímax da pregação, a lâmpada despencou e caiu. As pessoas ao redor pareciam não se importar e imediatamente velas surgiram, como se aquilo fosse algo comum de ocorrer. Terminei a mensagem à luz de velas e fiz um convite para quem estivesse enfermo se dirigisse à frente que eu iria orar pelo doente. Uma jovem mãe saiu das sombras e foi segurando nos braços um bebê pequeno. Quando ela colocou a criança doente em meus braços, eu podia sentir a febre  através das roupas.

       Já tínhamos visto alguns milagres acontecendo durante a reunião daquela noite, então, quando eu orei eu ​​acreditei que algo iria acontecer. Eu orei com toda a minha fé, enquanto olhava para aqueles pequenos olhos castanhos. Eu queria mais do que qualquer outra coisa no mundo, ver aquela criança curada. Não só eu, mas também Deus. Mas nada aconteceu, e  devo dizer-lhe, que me senti impotente; não apenas por causa da barreira da língua, mas ali eu estava representando Deus, pregando sobre cura e libertação; e  tive que devolver aquela criança doente novamente aos braços de sua mãe.

       Eu sabia que o coração de Deus era para curar aquele bebê. Na cruz do Calvário Jesus pagou o preço por cada doença, cada enfermidade. Não era da Sua vontade deixar aquela criança doente. Eu poderia culpar a fé da mãe, mas ela veio até mim, solicitar  ajuda. Eu sabia que o bebê não estava pagando por nada de errado,  então só restava olhar para mim mesmo.

       Naquele instante  eu questionei Deus e perguntei: "Por que

 a criança não foi curada? E lhe disse:" Eu tenho feito tudo o que eu sei fazer; eu tenho orado e confessado a Tua Palavra, por que esta criança não ficou curada? Ele me disse:" Ainda existe  muito do Alan no caminho".

       Eu sabia então qual era o problema: Havia muito do Alan e não o suficiente de Deus. Eu tinha muita carne envolvida com a minha vida. Eu não estava em pecado profundo ou vivendo uma vida mundana, não era disso que Deus estava falando. Ele estava me dizendo que ainda haviam áreas na minha vida que precisavam ser tratadas, para que o poder Dele pudesse fluir através de mim.

       Muitos de nós estão passando pelo mesmo problema. Sabemos que a vontade de Deus é fazer algo, mas por alguma razão nada está funcionando. Talvez você tenha acreditado para que alguma coisa fosse mudada em sua vida, família ou em suas finanças. E nada parece estar mudando. Você pode estar no mesmo lugar que eu estava.

       Deus nunca reterá a Sua bênção sobre você. Ele quer vê-lo abençoado e curado em cada área de sua vida, muito mais do que você imagina. Deus quer agir nesse mundo, mas Ele tem que trabalhar por meio de nós, e quanto mais Dele tivermos em nós, mais Ele poderá trabalhar pesado. Eram as áreas da minha carne  que estavam atrapalhando a obra de Deus na minha vida.    Eu me vi exposto pela vida real. Eu enfrentei uma situação na qual eu cri que funcionaria e não funcionou. Eu disse para mim mesmo que nunca mais queria estar novamente nessa posição. Comecei a odiar as coisas e as atitudes que estavam na minha vida que não provinham de  Deus.

       O apóstolo Paulo diz em Colossenses 3: 8-10: "Mas agora livrai-vos de tudo isto: raiva, ódio, maldade, difamação, palavras indecentes do falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que já vos despistes do velho homem com suas atitudes, e vos revestistes do novo homem, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou ".

       Mesmo tendo nascido  de novo, dado o meu coração a Deus; estar indo rumo ao céu, batizado no Espírito Santo; mesmo  o amor de Deus por mim sendo  infinito e incondicional, não devo  mais me submeter a uma lei, que diz que devo fazer algo para poder receber do meu Pai Celestial.  Refiro-me ao quanto eu amo a Deus e não sobre o quanto Deus me ama. A lei é simples: Eu não posso ter mais de Deus operando em minha vida sem ter menos de mim.

       É minha responsabilidade odiar os velhos desejos, pois eles não saíram simplesmente de mim, quando nasci de novo. Eles ficaram por aqui e querem governar sobre mim. É sua escolha  odiar o velho homem  e abraçar o novo homem em santidade e consagração. Não seria maravilhoso ser conhecido como uma pessoa que está consagrada a Deus, em vez de ser apenas um cristão como todo mundo?

       Em certa ocasião, alguém  me disse que havia tido  uma revelação sobre o Amor de Deus e que isso o animou muito, pois descobriu que não tinha que mudar para poder ser amado por Deus.  Eu disse: Isso é verdade!  Deus ama você como você é, mas você O ama verdadeiramente a ponto de desejar mudar?      Está escrito na Bíblia que se realmente amarmos a Deus , nós guardaremos os seus mandamentos.

       O problema não está no quanto Deus me ama, mas sim no quanto eu estou disposto a dar a minha vida por Ele, no quanto eu O amo.

       Haviam áreas em minha vida que estavam roubando as bênçãos de mim. Colossenses 2:18 nos adverte para não deixarmos que ninguém nos engane quanto a nossa recompensa em Deus. Descobri áreas da minha vida que precisavam morrer, pois estavam impedindo que eu avançasse em Deus  e que estavam roubando o que Deus tinha de bom para mim. E quando eu chegasse ao Céu eu iria descobrir.

       É nessa falta de entendimento que muitas pessoas ficam retidas, não porque elas amam demais o mundo para deixá-lo ir, mas é porque não conseguem crer que Deus tem um trabalho para eles fazerem pelo qual valerá a pena morrer.

       Posso dizer-lhe  que o cumprimento do plano de Deus quanto ao seu chamado no Corpo de Cristo é muito importante e está vinculado ao seu caminhar com Ele.

       Você tem um lugar no Corpo de Cristo! A sua caminhada foi planejado desde antes de você nascer, no entanto, você deverá optar por caminhar com Ele, para que isso seja cumprido.

       O meu erro foi ficar tentando cumprir o meu ministério na minha própria capacidade, e não na capacidade de Deus através de mim.  O seu chamado pode ser diferente do meu, no entanto, Ele quer trabalhar com você passo a passo.

       Obviamente, não era mais necessário  apenas fazer coisas para Deus. Quando comecei a perseguir o meu chamado, Deus foi me redirecionando.  Ele me disse: "Deixe de lado o sua vida e  me busque,  abraçando a cruz que eu pus diante de ti ".

       Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa a encontrará. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um  segundo as suas obras. " (Mateus 16: 24-27)

       Você consegue enxergar  que a recompensa vem? Aquele que toma a sua cruz e entrega a sua vida é o único que irá encontrá-LO. Se queremos mais Dele, devemos primeiro negar a nós mesmos e tomarmos  a nossa cruz.

       Perfeito! Então, como devo fazer para tomar a minha cruz? Como eu dou a minha vida? Estas eram as perguntas que eu tinha. Foi só depois que  encontrei-me estagnado e incapaz de ir além da minha capacidade natural que eu aprendi  como me negar e ter mais Dele.

       Como pregador eu parei de ensinar mensagens bonitas. Eu decidi que eu só iria  ministrar mensagens  que ajudariam as pessoas a mudarem o seu comportamento. Eu chamo essas mensagens  de fundamento. O abraçar a Cruz exige negação de si mesmo.

       Cada pessoa, independentemente do seu lugar no Corpo de Cristo ,deve tomar a mesma viagem se eles querem que Deus trabalhe com eles de maneira sobrenatural. Portanto, entregue  o seu tempo a essas ferramentas fundamentais e sua vida nunca mais será a mesma. Lembre-se de que você não poderá ter mais de Deus, se não tiver menos de si mesmo. De que maneira?  Assim: Orando no Espírito Santo, adorando  (gastar tempo com Ele em privacidade), meditando na Palavra Dele, jejuando e em obediência pessoal.  Essas são ferramentas fundamentais para tomarmos  a  cruz.

       Quanto mais você escolher, em sua caminhada diária, passar tempo praticando  essas ferramentas,  mais rápido Deus será  capaz de trazer do Seu poder em suas situações.

       Nós não estamos tentando convencer a Deus de nada; estamos simplesmente perdendo a nós  mesmos e ganhando mais Dele.

       Ele está nos esperando para poder remover as barreiras da  carne, tirar os pensamentos carnais  para fora do caminho, para poder intervir por nós.

       Eu tenho orado por muitas pessoas desde então; tenho vencido muitas batalhas e perdido algumas também. Cada vez que alguém não fica curado, especialmente uma criança, eu me entrego mais e mais para Ele. Eu sei que Ele não é o problema. E que ainda existe  muito do Alan no caminho.

       Então, seja encorajado, pois você tem um longo caminho diante de você. Não olhe as falhas do passado, mas pense no quanto você poderá andar em Seu poder para situações do cotidianas.

                            Seu amigo,

                                                            Alan Taylor

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